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Autor do artigo

FAGNER BATISTA MARTINS NUNES DE FARIA - CRP 23/807


Publicado dia 11/05/2018

Transtorno de Deficit de Atenção & Hiperatividade (TDAH) e o processo de aprendizagem

Na maioria dos casos, os primeiros traços perceptíveis quando determinada criança apresenta características de TDAH é na instituição escolar. Isso é possível no momento em que o professor percebe que o aluno é muito inquieto, hiperativo, impulsivo, hostil, se contorce na cadeira a todo o momento, sai da sala de aula de maneira aleatória, ou quando o aluno é distraído, “voado”, e ausente mentalmente, não conseguindo aprender sobre o que o professor ensina, e se o faz, é de maneira fragmentada. Geralmente a criança tem entre 04 e 07 anos de idade, as instituições através das observações dos professores orientam os pais que seu filho possivelmente tem TDAH.

O TDAH é uma síndrome de cunho neurobiológico que afeta os processos atentivos e de memória, processos esses utilizados corriqueiramente no aprendizado, de maneira formal ou informal.

A memória é formada a partir de uma estrutura funcional que adentra a atenção, compreensão, armazenamento, e evocação. Logo, se a atenção está em deficit, a concretização do saber ficará disfuncional, o que desencadeará problemas no aprendizado e por consequência prejuízo na capacidade de adaptação social.

A atenção é conceituada como uma espécie de filtro que separa as informações importantes advindas do ambiente, abstraídas pelos órgãos sensoriais para serem processadas, e na maioria das vezes armazenadas em nossa memória. Essas informações que são filtradas não são somente difundidas do meio ambiente, mas também da nossa mente, ou seja, quando estamos atentos em uma conversa ou ao ler uma página de um livro e na verdade estamos pensando em outra coisa, também é entendido como perda de foco ou da atenção.

A atenção é dividida em duas, a atenção involuntária: referente aos instintos, reflexo direcionados à sobrevivência. Caso aconteça uma explosão perto de uma pessoa, instintivamente, sua atenção é direcionada para o foco da explosão, se alguém emite uma luz muito forte de maneira abrupta, instintivamente, a tendência é fechar os olhos. Portanto, a atenção involuntária é espontânea não há conscientização. Já a atenção voluntária há um cunho consciente e seletivo, coerente com as expectativas do ambiente, há um senso crítico que está ligado com a seletividade e sustentação do foco atentivo, sobre o que se “deve” ter foco. Por exemplo, nem todos gostam de estudar, contudo o senso de responsabilidade moral e ético diz que temos que estudar e ter atenção para compreender tudo o que é ensinado em sala de aula (formalmente) ou no meio social (informal).

Em adição a isso a atenção voluntária se subdivide especificamente em quatro: atenção sustentada, alternada, seletiva e dividida. Atenção seletiva, subfunção ligada às funções executivas (lobo frontal do cérebro), é responsável pela capacidade de gerenciamento do funcionamento cerebral envolvida com a organização, planejamento, controle inibitório comportamental e flexibilidade cognitiva. A atenção seletiva emprega a capacidade de selecionar o que é importante para se ter foco. A atenção sustentada emprega a capacidade de sustentação sem oscilação do foco atentivo por determinado momento. A atenção alternada condiz com a alternância sobre os estímulos e áreas sensórias que está sendo utilizada sobre o estímulo focado seja auditiva, visual, tátil, gustativa ou olfativa. Por fim, a atenção dividida auxilia na manutenção do foco em dois estímulos ao mesmo tempo. A atenção, independente de qual tipo seja, deve ter precisão e produtividade para não ter possibilidade de omissão de informações sobre o que está tendo foco.

Além dessas questões a atenção está ligada a velocidade de processamento, condizente com a velocidade que o individuo terá para interpretar e organizar as informações abstraídas das áreas sensoriais no cérebro, e o quanto é veloz para dar uma resposta psicomotora, por exemplo, escrever no caderno o que a professora explica em sua regência.

Na maioria dos exames anatômicos do funcionamento cerebral em pessoas com deficit de atenção os resultados não apresentam nada de anormal, porém, em avaliações neuropsicológicas os mesmos apresentam prejuízo nos processos atentivos, funções executivas e na memória. A avaliação neuropsicológica é fomentada a partir de testes psicométricos e projetivos que observam o funcionamento neurológico tendo como referência o comportamento do indivíduo.

Para o fechamento do diagnóstico de TDAH é necessária uma análise criteriosa e interdisciplinar adentrando deveras psicólogos, professores, familiares, psiquiatra e neurologista. O tratamento é feito na maioria dos casos com medicação, estimulação cognitiva, psicoterapia e intervenção psicopedagógica.


Bibliografia:
METRING, Roberto. Neuropsicologia E Aprendizagem. Editora: WAK. Rio de Janeiro 2011.

PASSOS, Marileni Ortencio de Abreu. Fundamentos das Dificuldades de Aprendizagem. Editora: Fael. Curitiba 2015.

ROTTA, Nwera Tellechea; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. TRANSTORNOS DA APRENDIZAGEM. Editora: artmed. Porto Alegre 2016.

SANTOS. Josiane Gonçalves. Avaliação do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Editora: Fael. Curitiba 2010.



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